O que fazer com o medo?

No amor não há medo antes o perfeito amor lança fora o medo; porque o medo envolve castigo; e quem tem medo não está aperfeiçoado no amor” 1 João 4.18

Aquele sentimento adverso, que importuna alma, deixa inquieto os pensamentos e nos impede de dormir uma noite de sono tranquila. Quem nunca passou por essas sensações? Seja o medo de perder um ente querido, de ouvir resultados negativos do exame, de não confiar no escuro da noite ou de não conseguir pagar as contas ao final do mês?

Não foi Jó que por medo que o mal sobreviesse aos seus filhos fez ofertas de holocaustos antecipadas? Também foi o medo de ser preso que moveu Abraão a mentir para o rei que sua própria esposa era sua irmã? O que o medo pode nos levar a fazer? Ou melhor o que ele pode nos impedir de fazer?

É por esse sentimento incontrolável que a síndrome do pânico tem batido a porta de muitos jovens, tornando-os reféns da suas próprias emoções. Enquanto se espera da juventude força e vigor para desbravar novas conquistas, temos visto uma geração oprimida que recua e se rende às incertezas da mente.

Um mal que paralisa, aprisiona, faz tomar decisões tolas e impede que muitas vidas floresçam, tem abraçado tantas pessoas como um cobertor que afaga a doença. E a sociedade não tem colaborado quando ao invés de dissipar o medo, tem criado proteções e bons argumentos para que o indivíduo entenda que em meio a um mundo desequilibrado é normal que se sinta aflito. Palavras afáveis que estimulam a permanência de um estado de medo e incerteza nas pessoas

Ao pensar sobre esse infortúnio, me recordo de um nazareno que dormia, enquanto o medo assolava as pessoas a sua volta. Como poderia Jesus repousar enquanto uma tempestade ameaçava romper o barco? Que paz é essa que lhe fazia descansar enquanto as circunstâncias lhe davam ordem para inquietar-se?

Impressiona-me não apenas a sua segurança, mas o fato de apontar o medo dos discípulos como algo incoerente, a tal ponto de chegar a corrigi-los.  Como eles poderiam ser corrigidos por se inquietar quando na verdade estavam de fato para serem lançados ao mar? Imagino que Jesus via algo que a mente atribulada dos discípulos não conseguiam ver: a tempestade cessando.

O filho do Rei dos Reis sabia que Deus era poderoso para aquietar a fúria da natureza, por isso sua alma não se agitava, porque não apenas ouvira falar, mas tinha convicção de quem era seu Pai.

Assim como também, Jesus não se perturbara pelas más notícias da morte de Lazaro, porque sabia que Deus o ouvia e era poderoso para ressuscitar o seu amigo entre os mortos. “Eu sei que sempre me ouves, mas disse isso por causa da multidão que está ao meu redor, para que creiam que Tu me enviaste.” João 11: 42

Não havia dúvidas em Jesus que Deus o amava, não fora por coincidência que em seu batismo junto a todas as pessoas a sua volta ouvira do alto: “Esse é meu filho amado, em quem me comprazo”. O amor do Pai cobria-o a ponto de confiar completamente.

Por que ainda as circunstâncias nos fazem temer? Porque a conhecemos e sabemos o mal que pode nos causar, e talvez nos falte conhecer, verdadeiramente o Pai. Porque Ele é o próprio amor. E sabemos que esse amor lança fora todo e qualquer tipo de medo.

Sabe porque Ele lança fora o medo? Porque quando sabemos quem Ele é, sabemos que nada pode nos deter. “Se Deus é por nós quem será contra nós”.

Por isso ao invés de investir seu tempo pensando em como esse problema pode te ferir, gaste energia em saber como Deus é poderoso para te livrar.

:: Érica Fernandes

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